A escolha de cada um fará a diferença no trânsito

Diariamente os acidentes de trânsito tomam conta dos noticiários e redes sociais, fazendo vítimas graves e até mesmo fatais. Nem a fiscalização mais rígida consegue inibir as atitudes infratoras. Para conscientizar e estimular a educação viária, Semana Nacional de Trânsito deste ano, dedicou-se a promover: “A minha escolha faz a diferença”. Campanha essa realizada anualmente pelo Contran e Denatran.

O coordenador do curso de Segurança no Trânsito, José Onildo Truppel Filho, da UnisulVirtual, sempre traz à Universidade esses assuntos para que sejam tratados além da sala de aula. Truppel defende a Campanha e fala sobre a importância da individualidade.  “A campanha para mim, é espetacular nesse sentido, não é mais o trânsito como um todo e sim a individualidade sendo colocada no trânsito. Isso é muito bom e as minhas escolhas fazem toda a diferença. Se eu ando acima da velocidade, quer dizer que eu estou me colocando descumpridor das regras. Se todos forem educados, forem gentis, o trânsito com certeza fluirá de maneira diferente e todos irão chegar ao seu destino menos estressados do que está acontecendo hoje”, defende.

A preparação das pessoas para o trânsito tem outros focos fundamentais, baseados em um tripé: educação, engenharia e esforço legal, que é a fiscalização. Dessa vez o ponto central está na educação, pois sem uma boa engenharia, as vias não estarão preparadas para receber o volume, problema recorrente no atual sistema de trânsito brasileiro. “As cidades cresceram em volume de pessoas e em veículos, mas não cresceram as vias, elas são praticamente as mesmas de anos atrás. As vias pouco se adaptaram a essa nova realidade e isso é um problema de engenharia. Segundo esse tripé que existe no trânsito e por fim, o terceiro tripé, que é o esforço legal que é a fiscalização e o esforço legal que também incluem as leis, leis de fiscalização. O ano passado tivemos realmente uma grande modificação no código de trânsito que houve um endurecimento no valor das multas, as multas aumentaram em média 50%”, conta o Professor.

Essa modificação no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é uma tentativa de diminuir as infrações e acidentes, e refletir na conscientização do condutor. “Os valores realmente cresceram bastante, que faz parte do esforço legal, é uma tentativa de fazer com que as pessoas se conscientizem, se comportem de uma maneira mais interessante para o trânsito e que menos infrações se cometam, menos acidentes aconteçam”, explica.

Em relação aos acidentes, Truppel destaca que embora ocasionem devido a problemas climáticos, como por exemplo, um buraco na pista, o grande influenciador ainda é o comportamento humano. “A grande maioria dos acidentes acontecem por causa do ser humano. É o homem, o sujeito que está atrás do volante que está ocasionando o acidente, por excesso de velocidade, por não respeitar uma sinalização, por fazer ultrapassagem por um local não permitido e isso sim, que leva o acidente de trânsito. Então, formando esse tripé nós temos realmente a parte de engenharia importantíssima, a parte de educação de comportamento humano. Sem dúvida alguma, o mais importante e o terceiro é o esforço legal, que é essa parte de novas legislações, tentando inibir e fortalecendo a fiscalização por parte dos agentes de trânsito”, reforça.

Mesmo assim, é comum por parte da sociedade julgar o trabalho da fiscalização, com alegações de que o controle existe para aumentar a arrecadação dos órgãos fiscalizadores, o que não é verdade, fala Truppel. “A partir do momento em que se passa a fiscalizar um pouco mais, já se vem com aquela conotação d a indústria das multas, quando na verdade. Só existe multa porque alguém está cometendo alguma infração. As pessoas nessa semana, e no restante do ano, se preocupem com o comportamento no transito porque é o reflexo dela dentro do sistema é que vai ocasionar se o trânsito é bom ou ruim”, alerta.

O CTB entrou em vigor em 1998 e nesses 20 anos, mesmo com o surgimento da lei seca, o número de acidentes só aumenta. Por isso, a consciência dos condutores e pedestres são fundamentais. “Espera-se que realmente, as pessoas comporte-se de uma maneira melhor para evitar a infração, que por consequência vai diminuir o número de acidente e número de mortes no trânsito. O indivíduo é corresponsável pelo trânsito e o comportamento de cada um é que realmente faz a diferença”, finaliza Truppel.