Seminário aborda igualdade na diferença

 

O evento abordou acessibilidade e trouxe depoimentos e desafios para melhorar a àrea  A Unisul vive um período de mudanças e temas como a acessibilidade, antes vistos com distância e delicadeza, conquistam espaço. Neste cenário, ocorreu o Seminário sobre Inserção e Protagonismo de pessoas com necessidades específicas, parte da programação da Semana de Integração Docente e Discente. O evento ocorreu no dia 28 de setembro na Unisul Pedra Branca, na Grande Florianópolis e contou com a presença da convidada professora Nivânia Maria de Melo Reis, atuante do Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais, da PUC de Minas Gerais.

De acordo com a coordenadora  do Programa de Promoção de Acessibilidade da Unisul, Salete Cecília de Souza,  a luta para a aceitação e conquista dos 200 alunos com deficiência adentrarem e conquistarem seu espaço dentro da Unisul começou em 2001 e em 2004 foi criado o Programa na Universidade.

“A gente teve coragem para refletir. Quando a gente se põe a refletir, percebemos que tivemos caminhos e andanças, mas que ainda temos muito chão para andar.”, complementou o professor Jaci Gonçalves, coordenador do Projeto Revitalizando Culturas.

O professor e Coordenador de Pesquisa, Rogério Santos da Costa foi o mediador da manhã, que também teve a presença do pró-reitor de Ensino, Mauri Luiz Heerdt, e da gerente de Ensino Pesquisa e Extensão, Regina Dutra.

Jackson, estudante de engenharia ambiental na Unisul e que tem deficiência visual, afirmou que é dever do aluno com necessidades especiais ir atrás dos materiais exigidos, estudar e fazer a sua parte dentro da instituição. “As pessoas devem ser protagonistas do caminho que escolherem”, argumentou o aluno.

A professora Nivânia  ilustrou sua palestra com as experiências de sucesso da PUC de Minas Gerais. Além disto, as vivências de coordenadores e alunos da Unisul foram compartilhadas. Mais informações do evento estão disponíveis em vídeo, que você pode conferir aqui.

 À tarde, a bancada foi constituída pelos professores: Marciel Evangelista Cataneo, do curso de filosofia, Luciano Bittencourt,  professor de comunicação social e coordenador da  Unidade de Articulação Acadêmica em Educação, Humanidades e Artes, Vanessa de Andrade Manoel, coordenadora do PPA Virtual e mediadora do evento,  Cláudia Reis,  professora de Jornalismo,  e Geraldo Campos, professor de educação física e coordenador de eventos da Unisul.

 O primeiro a tomar a palavra foi o professor mestre de Educação Física Geraldo Campos. O docente enfatizou que não enxerga as pessoas com necessidades específicas como se possuíssem alguma diferenciação com as ditas “normais”. Para ele, “todos tem deficiências, dependendo do momento da vida ela vai se aflorar mais ou não.”

O professor Luciano Bittencourt comentou  sobre sua experiência com pessoas com deficiências, principalmente o aluno Jean Schutz, que possui deficiência visual. “Em relação aos outros acadêmicos, o estudante fazia todos os exercícios, lia e entregava todas as resenhas.”, comenta Luciano.

Reiterando o discurso de Luciano, a professora de jornalismo Cláudia Reis conta que em sua primeira aula se deparou com dois alunos cegos em sala. A aula ministrada era planejamento visual. “Que sentido aquela aula iria fazer a alguém que não enxerga?”, questionou-se a professora. Através do lúdico, Cláudia pode extrapolar as fronteiras acadêmicas e compor suas aulas com o auxílio de programas de rádio e audiovisuais.

 O professor de Filosofia Marciel Evangelista Cataneo leu uma carta de um aluno da Unisul virtual que possui deficiência auditiva. Cássio de Souza relatou que é casado e recentemente tornou-se pai. Conta ainda que sua mãe foi a primeira professora surda de Belo Horizonte. O aluno por fim finaliza: “Aprendi muito com a seguinte frase: Quem não senta para aprender, jamais ficará em pé para ensinar!”.

O privilégio da inserção de pessoas com deficiência não viria somente para os beneficiados. Em um âmbito mais amplo, toda a academia será contemplada com a interação de salas heterogêneas com a presença de diferentes pessoas e histórias. Segundo o professor de educação física, “as minorias são as maiorias e são tratadas de forma diferenciada e não de forma igualitária.” Por isso, a discussão torna-se importante e até mesmo indispensável.

O seminário ainda será utilizado nas atividades do programa da UnisulVirtual, “+Unisul”, que ocorre durante as férias. Além disso, fará parte do projeto “Unidiversidade”, com programação e data a ser definida nos próximos dias.

 Para saber mais, conheça o Núcleo Revitalizando Culturas e as notícias sobre acessibilidade na Unisul publicadas no Unisul Hoje.

* Contribuiu neste texto a estudante de jornalismo Aline Takaschima, do Núcleo Revitalizando Culturas.