Nem tudo que reluz é “Áurea”​

 

Por Guilherme Araujo Silva

“Dias atrás, fui questionado por um amigo sobre a diferença entre o preconceito que sofrem os negros daquele que sofrem os brancos. Ele branco disse: “- Ah, mas eu também já fui parado numa loja e questionado sobre o preço de um dos produtos.”

Diante da abordagem, respondi com um outro exemplo: “Outro dia era convidado de um evento, estava de camisa, social e sapato, e mesmo assim, fui abordado no corredor de uma empresa e demandado por apoio técnico”.

Entenderam a diferença? Para muitos, a cor da pele determina a posição social. Não é uma questão de vestimenta, apenas.

Minha irmã foi abordada em um hotel de Ouro Preto e questionada sobre os serviços de hospedagem. Apesar de estar vestindo traje casual.

Na Toca de Paulo Lopes, comunidade quilombola sobre a qual escrevi em minha dissertação de mestrado, há nítida separação entre crianças brancas e negras na escola, mesmo que a constituição pregue que somos todos iguais.

Sendo assim, informo aos incrédulos que: O preconceito contra as minorias existe sim. E é real. Histórico.

E o preconceito é tão cotidiano e são tantas as vezes em que isso ocorre, que você até fica sem ação.

Certa vez era estagiário em uma agência de propaganda e fui convidado a estrelar uma propaganda, pois, de acordo com minha chefe, o modelo que havia estava previamente selecionado tinha “cara de macaco”;

Já escutei muitas vezes: ah, mas você não é negro; seus traços são finos (como assim?);

Já escutei de uma garçonete em um restaurante que no nordeste não havia apenas pessoas negras, mas também pessoas bonitas.

Já fui revistado em batida policial. Em lojas já perdi as contas de quantas vezes fui perseguido por seguranças e por aí vai …

Não, nunca é por acaso. Podem ser movimentos determinados pelo inconsciente, mas nunca é por acaso. Foi a nossa história, o nosso passado(?) escravista que levou a isso.

Há quem discorde da minha posição, mas com a vida tenho aprendido que a realidade não agrada a todos e abro minhas experiências para a identificação pelos meus pares. Para quem, como eu, luta contra o preconceito. Para quem, como eu, sofre com o mesmo.

Hoje, 13 de maio, dia da abolição da escravatura, dia em que a sociedade se abre para conversar a respeito, o que proponho é uma breve reflexão sobre essa questão para não deixar que este dia também passe em branco …”

{ Guilherme Araujo Silva é Publicitário, Gestor de Marketing e Mestre em Ciências da linguagem pela Unisul }

Fonte: Linkedin. https://www.linkedin.com/pulse/nem-tudo-que-reluz-%C3%A9-%C3%A1urea-guilherme-araujo-silva/