Professor Truppel fala sobre a decisão do Contran da não obrigatoriedade do extintor de incêndio

A não obrigatoriedade do uso dos extintores de incêndio veicular se tornou assunto nos últimos dias. Enquanto o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) justifica a decisão alegando que o uso do extintor é um risco para o motorista e que no Brasil há uma baixa incidência de incêndios, os donos de veículos demonstram a indignação uma vez que tiveram custos para regularizar os veículos.

TruppelA reportagem da UnisulVirtual conversou com o coordenador do curso de Segurança no Trânsito, o professor José Onildo Truppel, para entender mais sobre este assunto.

UV –  Como vê essa decisão do  Contran?

Truppel – Vejo com uma certa resignação, pois não entendo esta como sendo a decisão mais interessante para o trânsito neste momento. O Contran informa também que somente 3% dos envolvidos em acidente de trânsito utilizaram o extintor de incêndio para combater as chamas no seu veículo após o acidente, sem precisar datas ou períodos.

UV –  Por que você avalia como necessário o uso do equipamento?

Truppel – Levando em consideração o número de mortos no Brasil em acidentes de trânsito no ano de 2013 (somente em 2013) foram 42.266 óbitos. Fazendo uma conta bem simples, 3% desse total de mortos significa 1.267. Se 3% das pessoas utilizaram o extintor para apagar incêndios em seus veículos, significa que podem ter se salvado ou salvado terceiros da morte neste momento e que, a partir dessa não obrigatoriedade do extintor, podem passar a acrescer os dados estatísticos com resultado morte.

UV- O Contran afirma que o equipamento não é efetivo e que causa risco ao condutor. Que risco são esses?

Truppel – Não concordo com a afirmação. Entendo que se o extintor ou seu suporte estão causando ferimentos nos usuários dos veículos, é porque estão instalados em locais e de forma inadequadas. Pois do contrário, teríamos que remover todo e qualquer equipamento que também possa causar danos às pessoas que se encontram no interior do veículo (alavanca de câmbio, por exemplo). Um equipamento obrigatório não pode ser desconsiderado com base no seu difícil manuseio.

Professor Truppel ainda considera que diante de tudo o que foi exposto até o presente momento, entende que a decisão foi precipitada frente ao comprometimento com um trânsito seguro e que somente vem a contribuir para que o número de vítimas de acidentes de trânsito cresça ainda mais. “Ainda não temos a segurança viária dos países desenvolvidos para ficarmos nos comparando e dispensando equipamento obrigatório que pode vir a contribuir no salvamento de vidas”, afirma.

Além disso, segundo Truppel,  as informações repassadas para desqualificar o equipamento foram muito superficiais, uma vez que não apontam qual foi o estado de deformação do veículo alvo, já que para o extintor ou seu suporte fazerem a diferença de espaço no habitáculo. Será que o condutor ou seus passageiros teriam condições de escapar com vida?

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